Vídeo mostra agonia de haitianos castigados pela epidemia de cólera
Médicos Sem Fronteiras veem doença, que já matou 1.100 pessoas, se espalhar
Do R7
Haitianos recebem tratamento em hospital do MSF perto da capital Porto Príncipe; epidemia já matou 1.100 pessoas
Um vídeo cedido com exclusividade ao R7 pela ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) mostra o atendimento no hospital de Choscal na favela Cité Soleil, em Porto Príncipe, onde se localiza o principal ponto de manifestação da doença.
Sem descanso, os integrantes do MSF já atenderam mais de 12 mil pessoas com sintomas da doença desde que a epidemia começou, em outubro passado. Apesar dos esforços, a organização não acredita que a propagação da bactéria será contida em curto prazo.
Dados do governo dão conta de que 18.382 pessoas já foram internadas no país desde que a epidemia começou, no mês passado.
Ao lado de mil funcionários haitianos, eles mantêm mais de mil leitos para internação em todo o país. O número é pequeno perto da previsão da ONU (Organização das Nações Unidas), que calcula que até 200 mil haitianos podem contrair a doença no país de 10 milhões de habitantes.
O vídeo do MSF, publicado abaixo, contém imagens fortes, que dão ideia do drama vivido pelos habitantes desse país, que é o mais pobre das Americas.
De acordo com as autoridades haitianas, o número oficial de mortes passa de 1.100 e os hospitais estão acima de sua capacidade.
A situação na capital é especialmente complicada, pois os poucos espaços disponíveis, não danificados pelo terremoto de janeiro, estão ocupados com abrigos para os desalojados. A equipe do MSF tem que tomar atitudes drásticas para atender à população, como conta o médico Javid Abdelmoneim.
- Com a permissão do diretor do hospital, nós montamos uma tenda no estacionamento para o tratamento do cólera. Esse era o último espaço disponível do hospital que está isolado do resto da unidade.
Haitianos se revoltam e protestam contra epidemia
Além das mortes por cólera, uma pessoa morreu e 25 ficaram feridas na última segunda-feira (15) durante manifestações contra a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), liderada pelo Brasil, a qual grupos acusam de causar a epidemia no país.
Entre os haitianos, há a suspeita de que a doença foi disseminada por soldados nepaleses, que fazem parte das Minustah. Já a missão de paz acredita que a violência teve motivação política por causa da aproximação das eleições presidenciais, no próximo dia 28.
Testes de laboratório já apontaram que o tipo de vírus veio da Ásia, mas ainda não existe outra conclusão mais detalhada sobre sua origem.
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